Nomes

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Rafael Leal é meu nome artístico e também é, por enquanto, meu nome completo. Por isso dou aquele sorriso amarelo quando alguém me pergunta assim:
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“Rafael Leal de quê?”
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De nada, minha senhora, eu sempre respondo.
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“Mas é só Rafael Leal?”
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Pois é. Nas últimas gerações da minha família, tanto de pai quanto de mãe, foi um tal de tirar sobrenome nos casamentos que, se eu resolvesse colocar todos de novo, meu nome ficaria maior do que o de D. Pedro I. Sem me esforçar muito, lembram-me, por parte do meu pai: Soares, Coelho e Modesto (esse graças a D'us que tiraram, seria muito sarcasmo), do lado dos portugueses do meu avô; Rinaldi, Milani e Fabbri, nomes da italianada do lado da minha avó. Pelo lado da minha mãe, sumiram Baptista e Conceição, do lado do meu avô, e, da minha avó, Cesário, Micorello e Perozini, que eu acho que na verdade é Perzin, mas isso é uma longa estória.
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Resumo da ópera: para meu pai só sobrou o Leal, e para minha mãe sobrou um Silva que depois virou Silva Leal quando ela casou com o meu pai. Como Silva é tão comum que chega a ser uma espécie de anonimato assinado, meu pai fez questão de que os três filhos tivessem só um nome e sobrenome. Só.
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Há algum tempo, resolvi abrir um processo para incluir entre o Rafael e o Leal alguns dos sobrenomes dos meus antepassados – ou antecedentes, como eles chamam – que é o tal do Perzin, ou a italianização Perozini, e o Micorello, que tem origem desconhecida (por mim) mas várias pessoas me disseram que é uma corruptela de Michael. Se for mesmo, bota corruptela nisso.
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Sabe o que isso significa? Que nunca mais terei que responder:
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“Mas é só Rafael Leal?”

Primeiros Passos

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Teatro amador, a peça era "O Embarque de Noé", de Maria Clara Machado. Dei meus primeiros passos no teatro que me levaria ao cinema e a tantos lugares inimagináveis que são todos tão inúteis levado pelas mãos da tão querida quanto polêmica Maria do Céu.

No final das apresentações, ganhamos dela um cartão feito à mão com os dizeres:

"O artista ama aquilo que não existe. Feliz 1994. Céu."

É, Céu, acho que começo a entender o que você quis dizer.